A vida é feita de escolhas e cada um de nós é diariamente confrontado com diversos momentos em que precisamos de decidir. Hoje falamos da liberdade de escolhas nas crianças.

Desde que acordamos, até ao que vamos vestir ou comer, da forma como vamos trabalhar, passando pela tomada de decisão de comprar um carro, uma casa, ou mesmo ir à praia ou ligar a um amigo. São múltiplas as escolhas que podemos tomar hoje em dia, e em liberdade. Liberdade esta que todos nós temos direito, correto? E quando acham que iniciamos esta capacidade de tomada de decisão?

Ora bem, é certo que todas as crianças são inicialmente dependentes dos cuidadores, mas a partir dos 2 anos de idade começam a desenvolver a sua personalidade e a capacidade de decidir por si mesmas.

Por essa razão, muitas delas iniciam nesta faixa etária as primeiras recusas às sugestões dos pais e restantes cuidadores. À medida que a criança cresce, revela os seus interesses, gostos, opiniões e pensamentos próprios, fazendo com que haja um desenvolvimento da sua autonomia e da constituição de sua identidade pessoal. 

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Dado isto, considero essencial que os pais apoiem os seus filhos na tomada de decisão progressiva e não se deixem levar unicamente pelo que desejam para a criança, pois poderá não ir ao encontro dos seus interesses.

Considero que a liberdade de escolha não é viver sem regras e não deve ser um “sempre”, nem um “nunca”, mas sim uma atitude consciente e doseada pelos pais.

A mesma quando bem estimulada leva a criança a fazer escolhas adequadas para o seu processo de desenvolvimento e, não isenta de maneira nenhuma o trabalho árduo dos adultos na educação, pelo contrário, é preciso ajudar bastante a criança a construir essa perceção do indivíduo livre e responsável e orientá-la nas pequenas decisões diárias.

Claro que algumas destas decisões cabem aos pais, mas deve-se incentivar os mais pequenos a desenvolver a sua capacidade de fazer escolhas. Assim, a criança pode sentir por ela mesma as suas conquistas pessoais. 

Outro importante princípio que a liberdade de escolha permite é o desenvolvimento da noção de responsabilidade. A criança quando começa a aprender a tomar as próprias decisões, pode entender por ela mesma que algumas atitudes podem ter consequências mais ou menos positivas.

Assim, ela poderá aprender a avaliar os seus atos de uma forma mais consciente.

Consequências de não oferecer às crianças a possibilidade de tomarem as decisões adequadas à sua faixa etária:

  • Dificuldade em tomar decisões sozinho
  • Sentimentos de insegurança
  • Dependência excessiva do adulto na hora de decidir
  • Carência de determinação e iniciativa própria
  • Tendência a ceder aos desejos e intenções de terceiros
  • A criança pode pensar que o que sente, quer ou deseja nunca é levado em conta
  • Dificuldade em reagir positivamente a pressões sociais
  • Diminuição da autoestima e dos sentimentos de valor pessoal
  • Desenvolvimento de sentimentos de irritação e ressentimento contra as pessoas que tentam impor um critério diferente.

Como podemos ajudar os mais novos a treinar a tomada de decisão em ambiente familiar?

– Seja um exemplo de respeito, independentemente da idade e mesmo que a opinião dos pais não coincida com a da criança;

– Mostre prós e contras de cada opção a escolher, deixando que seja a criança a decidir;

– Ensine a avaliar as situações antes de tomar uma decisão, assim como assumir as consequências dos erros, com os quais também se aprende;

– Enganar-se é normal, por isso evite julgar a escolha da criança e ajude-a a lidar com a frustração que isso poderá trazer.

– No processo de aprendizagem da tomada de decisões, a ansiedade pode bloquear a criança e transformar a escolha em um problema que gera sentimentos de angústia. Por isso, convém ensinar à criança que ela tem a liberdade de partilhar essas emoções, sem que isso implique delegar a responsabilidade da escolha aos outros;

– Eduque os filhos em liberdade para que escolham, errem e experimentem emoções que, embora dolorosas, fazem parte do processo de aprendizagem na tomada de decisões, que transformarão a criança numa pessoa mais independente e feliz.

Como já verificámos, as crianças aprendem muito mais e absorvem mais informações quando conseguem decidir sozinhas. Ter a possibilidade de escolher o que fazer, com o que brincar e onde ir, permite às crianças o exercício de tomar decisões e exercer a sua independência fortalecendo a sensibilidade para fazer opções cada vez mais complexas, o que representa grande passo rumo à autonomia.

Cabe ao adulto organizar os espaços e criar momentos para que as crianças livremente explorem o ambiente e escolham as suas atividades e brincadeiras. Contudo, é sempre interessante que o cuidador intervenha na orientação e participação das brincadeiras sempre que for necessário.

Resumindo…

Para que a criança avance com segurança rumo à sua maturidade e ao seu desenvolvimento psicomotor e relacional, é crucial um equilíbrio entre a oferta da liberdade de tomada de decisão e a imposição de limites razoáveis em questões que só os pais podem decidir. Sem dúvida que a liberdade de escolha permite às crianças aprenderem mais e melhor. Por isso, apoie a liberdade de escolha dos mais novos e ajude a orientar as suas pequenas decisões diariamente.

⚡ Se quiser saber mais sobre educação infantil, leia o nosso artigo Hábitos De Estudo Na Criança.

truques-familia-clevermealsTruques Prá Família é um projeto de Sofia Rodrigues. Enfermeira de profissão, tem percorrido outros caminhos na área da educação, em estreita relação com as crianças e as suas famílias, dentro e fora do contexto clínico. O foco é a educação positiva, saúde escolar e boas práticas que direcionem para os hábitos de vida saudável.